fases02Células T CD4+ FOXP3+ formam um grupo de células com atividade supressora e foram denominadas células T reguladoras (Treg). Essas células desempenham um papel essencial no estabelecimento e manutenção da tolerância. As células Treg são encontradas nos órgãos linfóides, mas também podem ser detectadas em vários tecidos, incluindo a pele. Tanto em camundongos quanto em humanos é encontrado um grande número de células Treg residentes na pele, aonde exercem um papel na tolerância a microrganismos comensais. Curiosamente, as células Treg da pele se localizam ao redor do folículo piloso. Os folículos são estruturas especializadas em constante estado de crescimento e regeneração.

O grupo do Dr Rosenblum publicou em junho deste ano (2017) um estudo muito interessante sobre o papel de células Treg na fisiologia do folículo piloso. Nos mamíferos, os folículos capilares se regeneram em um padrão específico, ciclando entre as fases de crescimento (conhecida como anágena) e as fases de quiescência (telógena). A primeira observação do grupo associa a ativação e o número de Tregs ao ciclo biológico do folículo. Durante a fase de quiescencia o número de Tregs associadas ao folículo é maior do que na fase de crescimento. Além disso, essas células apresentam um fenótipo relacionado à ativação. O trabalho mostrou que na ausência de células Treg não há crescimento do folículo após a depilação dos animais na fase de quiescência, deixando-os com um remendo calvo no dorso.

A transição da fase de quiescência para a fase de crescimento do folículo é mediada pela ativação, proliferação e diferenciação de células tronco do folículo piloso. O trabalho identificou as Tregs muito próximas às células tronco do folículo. E observaram que após a depilação dos animais as células tronco dos camundongos deficientes em células Treg não eram capazes de proliferar e se diferenciar, comprometendo o crescimento do pêlo nesses animais. Ao tentar elucidar essa relação os pesquisadores encontraram uma superexpressão da proteína Jag1 nas Tregs da pele. A proteína Jag1 se liga a proteína NOTCH expressa nas células tronco. A ausência da proteína Jag1 nas células Treg reduz a proliferação e diferenciação das células tronco do folículo piloso. Esse fenômeno pode ser revertido após o tratamento dos animais com a Jag1 exógena.

Para os pesquisadores será importante investigar como células Tregs da pele contribuem na cicatrização de feridas e para a perda de cabelo em seres humanos, a fim de desenvolver novas terapias para distúrbios regenerativos de tecidos mediados por células tronco.

Autores: Juliana Echevarria Lima e Fabio Canto

28 07 Imuno notícia proteinasHemeProjeto desenvolvido por:
Laboratório Imunidade e Inflamação
Laboratório Intermediário de Imunoreceptores e Sinalização - LIRS

Agregação de proteínas induzida pelo Heme

Nosso grupo de pesquisa vem estudando nos últimos anos a relevância da inflamação em modelos de doenças hemolíticas e a importância da autofagia na homeostasia à infecção. Em doenças hemolíticas e em diversas doenças em que ocorre hemorragia ocorre o rompimento das hemácias liberando altas concentrações de hemeproteínas, e consequentemente heme, no ambiente extracelular. Apesar da inflamação e citotoxicidade induzida pelo heme ainda não está totalmente elucidado quais os mecanismos homeostáticos desencadeados frente ao estresse em eventos hemolíticos ou hemorrágicos. Em nosso trabalho nós descrevemos o mecanismo de agregação de proteína como um desses mecanismos homeostáticos desencadeados pelo heme em condições hemolíticas. Neste mesmo trabalho nós observamos que a degradação destes agregados ocorre via autofagia. Com isso, demonstramos a indução de estresse no metabolismo de proteína por derivados do sangue e que o processo de autofagia atua no restabelecimento do equilíbrio em doenças hemolíticas. Como desdobramento desse projeto estamos investigando a importância da agregação de proteínas em modelos de hemorragia intracerebral e qual os impacto deste evento no desenvolvimento de doenças neurodegenerativas.  

Autor: Luiz Ricardo da Costa Vasconcellos

 

premio capesO Prêmio CAPES consiste em diploma, medalha e bolsa de pós-doutorado nacional de até 12 meses para o autor da melhor tese. A Comissão Avaliadora do Programa de Imunologia e Inflamação para o Prêmio CAPES analisou o conteúdo das 3 teses de Doutorado conforme: originalidade, relevância para o desenvolvimento científico, tecnológico, cultural e social; qualidade e quantidade de publicações decorrentes da tese, valor agregado ao sistema educacional; metodologia utilizada; qualidade da redação e  estrutura/organização do texto. A tese de doutorado intitulada "Vias de sinalização envolvidas na netose induzidas por L. amazonensis e proteína amiloide”, da autora Natalia Cadaxo Rochael realizada sob a orientação da Profa. Elvira Saraiva foi a vencedora. 

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